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Devocional

Como adultos e crianças

(por Cristina Teles)

É comum ver pessoas dizendo que o excesso de amor “estraga” a criança! Será? Seu filho, durante o dia, numa loja, quis uma coisa que você não pôde lhe comprar e ele se indignou, claro, ele ainda não tem a percepção de saber o que você pode ou não oferecer-lhe, mas, quando você chegou a sua casa, você o cobriu de amor com a comidinha que ele gosta, carinho, historinha para ele dormir, explicando a ele que quando puder você comprará o que tanto ele queria. Aquele incidente, o desapontamento, já se pode considerar adiado ou quase esquecido.

Então, a pergunta é: Ele entendeu?
Não! Mas, ele foi envolto em tanto amor que aquilo que para ele era tão importante foi superado por gestos e demonstrações de amor que o fez adiar ou talvez esquecer o que para ele, durante aquele dia, lhe pareceu ser tão importante. Por isso que o excesso de amor não “estraga” a criança, mas sim, a falta de disciplina. Deus nos ama tanto e sempre nos surpreende com tanta misericórdia que despende sobre nós, mas Ele nos corrige, às vezes, fala “duro”, mas sempre com muito amor. Hoje, lá fora, se pode ver um grande número de usuários de drogas, bêbados e crianças abandonadas que, digamos de passagem, eles não nasceram drogados, bêbados e nem optaram pelo abandono, um dia, eles foram crianças que não tiveram esse amor, que não tiveram disciplina, que nunca tiveram ninguém que os defendessem como deveria ou que se preocupassem com eles, nem que lutassem por eles ou, ainda, que demonstrasse amor por eles, sentimento que mesmo ante a miserabilidade da vida, qualquer pessoa pode ter e é gratuito, e qualquer um pode dá-lo. Muitos dos que desenvolvem algum tipo de vicio já ouviram falar de Deus, mas não de um Deus perdoador, amoroso, ninguém disse a eles que Deus manda que venham até Ele como estão; muitos, ainda, acreditam que é preciso se curar para que possam se achegar a Deus, eles não sa-bem que é impossível lutar contra essas coisas sem a ajuda de Deus e sem que estejam cobertos pelo Seu infinito e insondável amor, eles se culpam por não conseguir e durante a jornada, simplesmente desistem. Assim como a criança, desorientada, à deriva, sem nenhuma supervisão dos seus progenitores, cresce acreditando nas verdades impostas pelo meio em que vive e, consequentemente se perderão.

Quando Jesus disse para não impedir que os pe-queninos viessem até Ele, creio que não se referia apenas à pureza, à confiança que existe neles, mas também ao fato de que esse pequenino se tornará um adulto e se ele tiver a dependência e o amor de Cristo, ele sempre reverenciará a Deus, O amará, seguirá O seu caminho e terá força suficiente para lutar contra as opções ilusórias que o mundo lá fora oferece. Cuidemos para que esse adulto resgate a criança abandonada dentro dele que não teve amor de seus pais e nem conheceu a Cristo, ele precisa saber o quanto Deus o ama e o quer para Si, ele precisa provar desse amor insondável, misericordioso, assim também, cuidemos da criança para que ela não se torne esse adulto que nunca provou do real amor de Deus em sua tão pequena vida e se perca durante a caminhada da vida.

Essa é uma das tarefas que compete a todo cris-tão, abrir a alma ao faminto e fartar a alma aflita para que a luz nasça nas trevas.

Leia: Isaías 58.10-12